A B C DA REFORMA

Com frases dos Reformadores
no Livro de Concórdia

Para não ficar apenas
na contagem regressiva
numa atitude passiva
como mais um evento
sem comprometimento
com a causa da Reforma
que não se conforma
se não há arrependimento.

Fascículo 1: A Reforma

Apresentação

A mensagem bíblica do movimento da Reforma da Igreja fundada por Jesus Cristo é apresentada aqui seguindo a ordem alfabética. Esta seleção de palavras quer dar o conteúdo básico da redescoberta do Evangelho pelos reformadores.
Cada palavra está relacionada com a seguinte, formando uma rede entre elas. Todas as palavras são explicadas com trechos dos reformadores no Livro de Concórdia (informações, na parte final).
Entre parênteses está a sua localização: o 1º número refere-se à página da edição em português,1980, Ed. Sinodal e Ed. Concórdia; o 2º número é do parágrafo da edição alemã (Unser Glaube, 1987, Gütersloher Verlagshaus).
No fim de cada palavra está a sua fundamentação bíblica.

Para receber gratuitamente outras mensagens, entre em contato: ricardonor28@gmail.com

Ricardo Nör

14 de dezembro de 2016

A Arrependimento A Reforma da Igreja de Cristo começa quando Martin Luther apresenta as 95 Teses a 31 de outubro de 1517. A 1ª Tese: “Quando o nosso Senhor Jesus Cristo diz: “Arrependam-se…”, ele quer que a vida inteira dos fiéis na terra seja um contínuo arrependimento.” Do arrependimento, o “ponto principal da doutrina cristã” (276, 312), “ensinamos que os que pecaram depois do Batismo, a qualquer hora poderão obter o perdão dos pecados quando chegarem ao arrependimento.” (33, 18)

Jesus diz: – Arrependam-se dos seus pecados, porque o Reino do Céu está perto! Mateus 3.17

B Bondade O arrependimento que recebe o perdão se torna realidade por causa da bondade de Deus. É somente sua misericórdia que nos aceita: “Deus derrama sobre nós da riqueza imensa e imerecida da sua graça, de modo que ele mesmo chama isto de “novo nascimento”, pelo qual somos libertados de toda a tirania do diabo e do pecado, e nos tornamos herdeiros de todos os bens de Deus e filhos de Deus mesmo e irmãos de Cristo.” (…, 557)

Quando Deus, o nosso Salvador, mostrou a sua bondade e o seu amor por todos, ele nos salvou porque teve compaixão de nós, e não porque tivéssemos feito alguma coisa boa. Tito 3.4-5

C Cristo A bondade de Deus se revela em Cristo, “que é verdadeiro Deus e verdadeiro homem que nasceu, sofreu, foi crucificado, morreu e foi sepultado, para ser sacrifício por todos os pecados, para apagar a ira de Deus.” (30, 9)

Cristo Jesus foi humilde e obedeceu a Deus até a morte, e morte de cruz. Por isto Deus deu a Jesus a mais alta honra e que todos testemunhem que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus, o Pai. Filipenses 2.8-11

D Deus Cristo é a revelação de Deus: “Ensinamos que há três pessoas na única essência divina, igualmente poderosas e eternas: Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo.” (28, 7)

É por meio de Cristo que todos nós podemos ir, pelo poder de um só Espírito, até a presença do Pai. Efésios 2.18

E Espírito Santo Deus se revela através de Cristo e também através do seu Espírito: “Creio que, por minha própria inteligência ou capacidade, não posso crer em Jesus Cristo, meu Senhor, nem chegar a ele. Mas o Espírito Santo me chamou pelo Evangelho, iluminou com seus dons, santificou e conservou na verdadeira fé.” (371s, 504)

Deus faz com que seus mensageiros se tornem ventos e seus servidores, chamas de fogo. (Hebreus 1.6s)

F Fé O Espírito Santo “realiza a fé, onde e quando ele quer, naqueles que ouvem o Evangelho, ele ensina que temos, pelos méritos de Cristo, não pelos nossos, um Deus misericordioso, quando cremos nisto.” (30, 11)

A fé vem por ouvir a mensagem de Cristo. Romanos 10.17

G Graça A fé recebe a graça misericordiosa de Deus como um presente: “Nos tornamos justos (aceitos) diante de Deus pela graça, por causa de Cristo, mediante a fé.” (30, 10)

Pela graça de Deus vocês são salvos, por meio da fé. Isto não vem de vocês: é presente dado por Deus. A salvação não é resultado dos esforços de vocês. Efésios 2.8-9

H Hagiolatria A graça é presente que Deus dá. Por isto, a hagiolatria, isto é, a invocação aos santos e todas as outras ações que querem alcançar a graça mediante esforços religiosos é contrária à vontade de Deus: “As nossas obras não podem nos reconciliar com Deus e merecer graça. Isto se realiza só pela fé, quando cremos que os pecados nos são perdoados por amor de Cristo, que é o único Mediador que pode nos reconciliar com o Pai.” (37, 27)

Cristo nos deu, pela fé, esta vida na graça de Deus. Romanos 5.2

I Indulgência Assim como a hagiolatria é ação meritória contrária à vontade de Deus, também a indulgência. Ela é o perdão parcial dos pecados, dado a pessoas vivas e mortas, obtido por dinheiro: “O mérito de Cristo não é alcançado por nossas obras ou nosso dinheiro, e sim, mediante a fé, pela graça, sem qualquer dinheiro e mérito. Não é oferecido pelo poder do papa, e sim, pela pregação ou Palavra de Deus.” (317, 389)

Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus. Mas, pela sua graça e sem exigir nada, Deus aceita todos por meio de Cristo, que os salva. Romanos 3.23s

J Justificação Nenhuma indulgência é suficiente para sermos justificados (aceitos) Deus: “Recebemos a justificação de Deus pela graça, por causa de Cristo, mediante a fé, quando cremos que Cristo sofreu por nós e que, por sua causa, os pecados nos são perdoados e nos são dadas justiça e vida eterna.” (30. 10)

A pessoa que não coloca sua esperança nas coisas que faz, e sim, simplesmente crê em Deus, é a fé desta pessoa que faz com que ela seja aceita por Deus, o Deus que trata o culpado como se ele fosse inocente. Romanos 4.5

L Liberdade Quando somos justificados por Deus pela fé em Cristo, experimentamos também a liberdade: “É preciso manter firme na cristandade a doutrina da liberdade cristã de que não é necessária a escravidão da lei para a justificação, conforme Gálatas 5.1.” (60, 75)

O Evangelho é a lei perfeita que dá liberdade às pessoas. Tiago 1.25

M Mandamento A liberdade que recebemos de Deus pela fé em Cristo não significa uma vida sem compromisso. Ela se realiza na orientação do Mandamento: “Os Dez Mandamentos são o modelo e resumo da doutrina divina para o que devemos fazer, a fim de que toda a nossa vida agrade a Deus. Eles são a verdadeira fonte e canal pelo qual deve proceder e fluir tudo o que quer ser boa obra. Portanto, fora dos Dez Mandamentos, nenhuma obra ou procedimento pode ser boa e agradável a Deus, por maior e mais preciosa que pareça ser aos olhos do mundo.” (443, 715)

Jesus diz: “Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente. E ame os outros como você ama a você mesmo. Toda Lei se baseia nisto.” Mateus 22.37-40

N Nova vida A prática do Mandamento de Deus pela fé em Cristo coloca a pessoa na realidade da nova vida que Deus quer a todos: “Porque a fé traz o Espírito Santo e cria nova vida nos corações, é necessário que produza estímulos espirituais nos corações. E o que são estes estímulos, o profeta mostra quando diz: – Eu colocarei a minha lei na mente deles e no coração deles a escreverei: Eu serei o Deus deles, e eles serão o meu povo (Jeremias 31.3). Por isto, depois de justificados e renascidos pela fé, começamos a temer e amar a Deus, a pedir e esperar dele ajuda, agradecer-lhe, louvá-lo e a obedecer-lhe nas aflições. Começam também a amar o próximo, porque o coração tem impulsos espirituais e santos.” (129, 120)

Agora estamos livres da lei porque já morremos para aquilo que nos mantinha prisioneiros. Por isto somos livres para servir a Deus, não da maneira antiga, obedecendo à lei escrita, e sim, da maneira nova, obedecendo ao Espírito de Deus. Romanos 7.6

O Obediência A nova vida se mostra na obediência a Deus em primeiro lugar: “Onde colocas o teu coração e a tua confiança, aí está, na verdade, o teu Deus.” (395, 587) “É como se Deus dissesse isto: – O que procuraste até agora junto aos santos ou confiaste receber dos bens terrestres ou de qualquer outra coisa, espera tudo isto de Deus e considera-o como aquele que quer te ajudar e dar plenamente tudo o que é bom.” (396, 593)

Deus diz: – Eu sou o Senhor, teu Deus. Não terás outros deuses além de mim. Êxodo 20.1-3

P Palavra A obediência a Deus se fundamenta na orientação da sua Palavra registrada na Bíblia: “Nós, cristãos, devemos ocupar-nos diariamente com a Palavra de Deus e traze-la no coração e na boca, orientando assim toda nossa vida e atividade na Palavra de Deus.” (408, 625)

Agora que vocês já se purificaram pela obediência à verdade e agora que já têm um amor sincero pelos irmãos na fé, amem uns aos outros com todas as forças e com um coração puro. Pois vocês, pela viva e eterna Palavra de Deus, nasceram de novo como filhos de um Pai que é imortal e não de pais mortais. 1 Pedro 1.22s

Q Quérigma A partir da Palavra de Deus, somos capacitados a fazer o anúncio do quérigma, isto é, da mensagem do Evangelho da salvação a todas as pessoas: “Este é o ponto principal da pregação do Evangelho: Denunciar os pecados e anunciar, por causa de Cristo, o perdão dos pecados, a justiça, o Espírito Santo, a vida eterna, e que, como pessoas renascidas, pratiquemos o bem.” (196, 204)

Jesus foi entregue para morrer por causa dos nossos pecados e foi ressuscitado a fim de que nós fôssemos aceitos por Deus. Romanos 4.25

R Reconciliação O quérigma que anuncia a essência da mensagem do Evangelho, quando recebido com fé em Cristo, realiza a reconciliação com Deus: “Cristo sofreu e morreu para reconciliar conosco o Pai. Ele foi ressuscitado da morte para reinar, justificar e santificar os fiéis, de acordo com o Credo Apostólico e o Credo Niceno.” (109, 93)

Deus, por meio de Cristo, nos reconcilia com ele. E Deus nos deu a tarefa de fazer com que os outros também sejam amigos dele. 2 Coríntios 5.18

S Sagrada Escritura A mensagem da reconciliação que recebemos de Deus tem sua origem na Sagrada Escritura. O objetivo da Reforma é voltar à fonte original da revelação de Deus registrada completamente na Bíblia: “Só a Sagrada Escritura é o único juiz, a regra e a norma, com a qual todas as doutrinas devem e precisam ser medidas e julgadas, sejam boas ou más, corretas ou incorretas.” (500, 875)

Toda a Sagrada Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver. 2 Timóteo 3.16

T Tradição A Sagrada Escritura é o único fundamento para toda a tradição da Igreja, isto é, para todas as práticas da cristandade ao longo da história: “Nem os outros apóstolos, nem Pedro, podem arrogar para si domínio ou superioridade sobre a Igreja, nem devem oprimir a Igreja com tradições, que a autoridade de ninguém esteja acima da Palavra de Deus.” (347, 466)

Deus já pôs Jesus Cristo como o único alicerce, e nenhum outro alicerce pode ser colocado. Alguns usam ouro ou prata ou pedras preciosas para construírem em cima do alicerce. 1 Coríntios 3.11-12

U Unidade A tradição que se baseia somente no único fundamento da Igreja, que é Jesus Cristo, torna possível a verdadeira unidade dos cristãos: “Para a verdadeira unidade da Igreja cristã é suficiente que o Evangelho seja pregado de maneira unânime e com clara compreensão, e que os sacramentos (Batismo e Ceia do Senhor) sejam distribuídos de acordo com a Palavra de Deus. (31, 13)

Há um só Senhor, uma só fé e um só Batismo. E há somente um Deus e Pai de todos, que é o Senhor de todos, que age por meio de todos e está em todos. Efésios 4.5-6

V Volta A unidade da Igreja se tornará realidade completa e definitiva com a volta de Jesus Cristo: “O nosso Senhor Jesus Cristo voltará no último dia para julgar, ressuscitará todos os mortos, e dará aos fiéis e escolhidos vida e alegria eternas, mas condenará as pessoas que não creem em Deus e o diabo ao inferno e ao castigo eterno.” (35, 23)

Cada um será ressuscitado na sua vez: Cristo, o primeiro de todos; depois, os que são de Cristo, quando ele vier. E então virá o fim. Cristo destruirá todos os governos espirituais, todas as autoridades e poderes, e entregará o Reino a Deus, o Pai. 1 Coríntios 15.23-24

O Livro de Concórdia (LC)

Os escritos confessionais da Reforma estão reunidos no Livro de Concórdia (LC). Ele é o resultado de um processo de formação da doutrina luterana que durou cerca de 50 anos e que permanece inalterado ao longo da história. O LC começa com os três Credos universais da Igreja cristã: O Credo Apostólico, o Credo Niceno e o Credo de Atanásio. Isto mostra o caráter ecumênico da Reforma luterana: Elas expressam a comunhão universal da Igreja de Jesus Cristo em todos os tempos e vão além e independem dos limites das diferentes denominações eclesiásticas.

Depois dos três Credos, o LC apresenta os 7 escritos da Reforma Luterana:

O Catecismo Menor: 1529
O Catecismo Maior: 1529
A Confissão de Augsburgo: 1530
A Apologia (defesa) da Confissão de Augsburgo: 1531
Os Artigos de Esmalcalda: 1537
O Tratado sobre o Poder e o Primado do Papa: 1537
A Fórmula de Concórdia: 1577

Os escritos confessionais do LC não estão no lugar da Bíblia, e sim, querem dar testemunho da Palavra de Deus. Eles apresentam, de forma resumida, o conteúdo da Bíblia e o seu centro que é Jesus Cristo. Por ser assim, estes escritos precisam ser sempre examinados à luz da norma e do critério original que é a Bíblia. A mensagem do Evangelho é esta: Somos justificados, aceitos por Deus só pela graça imerecida que recebemos só pela fé, e isto pela ação salvadora só de Cristo. Esta mensagem é revelada só na Bíblia. E o objetivo final da fé cristã é dar só a Deus glória!

One Response to A B C DA REFORMA

  1. Olá, boa tarde!
    Seu Giuliano, quem tinha esse material do “Pão da Vida” era o P. Ricardo Nör. Ele se aposentou em março deste ano.
    Temos este material em impresso, se quiseres enviaremos pelo correio. Entraremos em contato com o Pastor, da possibilidade de colocarmos novamente no site.
    Obrigada, Lisete

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